HIPER – HIPO – TIREOIDISMO AS DUAS FACES DA MESMA MOEDA
Vera Lúcia de Assunção
Nutricionista UFRJ – CRN 4 RJ - 3075
O hipotireoidismo como o hipertireoidismo, são doenças autoimunes, ou seja, o individuo produz anticorpos contra a tireóide.
A queda brusca das reservas de energia, cansaço, intestino que dá sinais de funcionamento anormal, inchaço nos membros inferiores entre outros, pode ser sinal de que a tireóide apresenta falhas no seu funcionamento normal. Responsável pela produção dos hormônios T3 e T4 (triidotironina – tiroxina) que regulam o metabolismo corpóreo.
A tireóide produz principalmente o hormônio T4 que irá se transformar em T3 que irá aos receptores das células e participará ativamente de processos tais como:
* Coração = controle dos batimentos cardíacos;
* Intestinos = monitoram o peristaltismo e freqüência das evacuações;
* Cérebro = interferência na memória, humor e funções cognitivas.
HIPOTIREOIDISMO – é quando a tireóide começa a desacelerar e todo o metabolismo tende a sofrer uma baixa, mas com uma tendência para aumentar o peso corpóreo em até 10% do peso total.
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HIPERTIREOIDISMO - é o mais comum entre os dois tipos. Caracteriza-se pela aceleração da tireóide – produção em excesso de T3 e T4. Os sintomas mais comuns são: insônia, taquicardia, irritação, falta de concentração e perda de peso.
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No momento em que a produção de T3 e T4 fica abaixo do normal, a hipófise começa a receber mensagens para produzir mais TSH (hormônio que produz T3 e T4). Quando os níveis dos dois aumentam em demasia, a hipófise recebe uma nova mensagem, desta vez para cessar a produção do TSH. Podem o ocorrer alterações anatômicas na tireóide pela presença de nódulos ou crescimento uniforme da glândula. Na maioria dos casos os exames revelam nódulos benignos – 95% dos casos.
O hipotireoidismo tem uma prevalência maior em mulheres (10%) aumentando no período da menopausa (12 - 15%). Nos homens este índice cai para 3%. Esta maior incidência para as mulheres está no fato de que o iodo se perde pela urina, portanto as mulheres perdem muito mais este mineral do que o homem, fazendo com que a tireóide aumente de tamanho, provocando o surgimento do bócio.
As mulheres têm de oito a nove vezes mais nódulos nessa glândula do que os homens por efeito da gravidez ou dos hormônios femininos, em constantes transformações, existindo também o fator hereditário. A deficiência para mais ou para menos destes hormônios, atuará em vários Sistemas do corpo humano.
Sistemas
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Deficiência
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Excesso
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Sistema Cardiovascular – interfere nos batimentos e debito cardíaco.
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Fraqueza cardíaca, força e velocidade de contrações diminuídas, débito cardíaco.
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Taquicardia e arritmias
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Sistema Gastrointestinal – interferência no funcionamento dos intestinos; os rins também sofrem influência.
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Intestinos lentos, rins mais lentos com filtragem comprometida, ato de urinar mais espaçado.
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O funcionamento dos intestinos irá se acelerar provocando um número de evacuações aumentadas, aumento do fluxo de urina.
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Sistema Nervoso – é essencial para o desenvolvimento e manutenção do Sistema Nervoso Central.
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Pode levar a depressão, desordens de humor (ainda em estudos comprobatórios).
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Irritabilidade, nervosismo, ansiedade, agitação, insônia, aumento da velocidade, ampliação dos movimentos e tremores.
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Sistema Muscular Esquelético – fazem a síntese de proteínas essenciais para o crescimento e desenvolvimento dos músculos.
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Fraqueza muscular, dores, câimbras, diminuição da massa óssea.
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Os hormônios queimam proteínas em excesso, causando os mesmos sintomas do hipotireoidismo.
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Sistema Reprodutor – T3 e T4 junto com o TSH ajudam a manter as funções reprodutivas em ordem.
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A disfunção provoca o aumento da prolactina (hormônio que gera o leite materno) que em excesso compromete a capacidade de concepção, desregula o ciclo menstrual e diminui a libido.
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Provoca menstruação irregular, infertilidade, provoca aumento da libido.
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Peso Corporal – regulam as transformações dos nutrientes em energia para manter as funções vitais para as atividades físicas.
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O metabolismo energético trabalha mais devagar provocando um menor gasto de energia e conseqüentemente aumento de peso, retenção de líquido e inchaços.
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Maior gasto energético, perda de peso acentuada, mesmo com o apetite aumentado.
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Pele, Unhas e Cabelo – essenciais para a manutenção, equilíbrio e saúde destes Sistemas.
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Pele ressecada, queda de cabelo, unhas quebradiças
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Queimam proteínas em excesso causando os mesmos sintomas do hipotireoidismo.
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NUTRIÇÃO:
* Carne Vermelha = por possuir selênio, vitamina B6, ambos atuam na produção de hormônios e estimulam as funções defensivas das células.
Consumo ideal = 1 porção de 120 gramas por dia.
* Peixes de água salgada = oferecem ótima quantidade de iodo e cálcio, excelente para o bom funcionamento da tireóide.
Pescada, atum sardinha, cação e badejo = 1 porção de 120 gramas por dia três vezes por semana.
* Frutos do mar = como os peixes de água salgada, apresentam boas quantidades de iodo e cálcio. O T3 e T4 atuam diretamente nos ossos e cartilagem, desempenhando um papel importante no metabolismo celular.
Ostras, lagosta, camarões etc..= 1 porção de 120 gramas duas vezes por semana.
* Leite = principal fonte de cálcio que quando em baixa no organismo, desativa enzimas importantes que atuam no metabolismo. Possui iodo, nutriente importante para a tireóide.
Três porções por dia = leite e seus derivados (iogurte e queijos magros)
* Gema de ovo = além do iodo possui vitamina D que quando em baixa compromete a participação dos hormônios tireoidianos nos ossos.
Uma unidade três vezes por semana.
* Laranja = rica em selênio e vitamina C reforça a imunidade e absorve cálcio; um ótimo antioxidante potencializa os hormônios da tireóide.
Uma unidade por dia “in natura” ou suco de fruta concentrado.
* Sementes = atuam no metabolismo destes hormônios. Possuem cálcio e tirosina.
Linhaça dourada, semente se abóbora, semente de girassol = ½ xícara de chá três vezes por semana.
* Cereais integrais = fontes de magnésio que quando em baixa, faz com que não haja resposta satisfatória das glândulas paratireóides prejudicando as funções renais e ósseas do organismo.
Uma porção de 100 gramas /dia
* Castanha do Brasil = possui selênio e ativa de forma potente os sistemas autoimunes da tireóide. Uma ou duas por dia é o suficiente!
* Algas = como os frutos do mar, os peixe de água salgada, são fontes de iodo que colaboram nos hormônios da tireóide no que se refere às funções metabólicas.
Um pires de chá duas a três vezes por semana.

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